Com a inflação em alta, a nova variante do coronavírus - Ómicron - em expansão e o aumento dos preços da energia parecem não ter chegado ao fim, os principais Bancos Centrais despediram-se de 2021 com reuniões cruciais em que anunciaram uma nova direção para a política monetária.

Subida das Taxas de Juro nos EUA

O primeiro Banco Central a pronunciar-se foi a Reserva Federal dos Estados Unidos (FED), afirmando que irá apertar a política monetária reduzindo o programa de estímulos em 30 mil milhões de dólares por mês. Neste sentido, a MAPFRE Economics acredita que esta viragem do cenário baseia-se sobre "um mercado de trabalho sólido, uma economia em constante expansão e numa inflação concomitante".

As taxas de juro de referência permanceram inalteradas no intervalo entre 0% e 0,25%. No entanto, a FED avançou uma subida das mesmas, especificamente em três aumentos par 2022 e outros três para 2023.

Além das novas medidas anunciadas, Gonzalo de Cadenas-Santiago acredita que "ainda não estamos a ver os efeitos estruturais sobre a inflação, associados aos efeitos da monetização, da deslocalização da produção ou da internacionalização dos custos". Num especial "Bancos Centrais" organizado pela Radio Intereconomía, no qual o especialista da MAPFRE AM, Gonzalo de Cadenas-Santiago, participou juntamente com Enrique Mazaruela, da Universidade de Comillas, Rui da Mota, da Afi e Alexis Ortega, da Finagentes Gestión, considera, no entanto, que estas pressões de preços são ainda dominadas pelo "aumento dos custos de energia, a procura congestionada de bens de consumo em detrimento de serviços e estrangulamentos cuja capacidade de oxigenação continua a ser intermitente e incerta".

Fim do programa de emergência pandémica na Europa

Por outro lado, o organismo presidido por Christine Lagarde, anunciou que as taxas de juro permanecerão constantes (0% para empréstimos e -0,5% para depósitos). No entanto, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou uma desaceleração no ritmo do Programa de Compra de Emergência Pandémica (PEPP - Pandemic Emergency Purchase Programme), que poderia diminuir para 10 mil milhões de euros por semana até março de 2022, "amortecendo o efeito através do reforço do Programa de Compra de Ativos (APP - Asset Purchase Programmes) para 40 mil milhões de euros por mês durante o segundo trimestre e reduzindo-o para 30 mil milhões a partir do terceiro trimestre".

Ainda nesta linha, o especialista do departamento de pesquisa da MAPFRE acredita que o BCE não anunciará um aumenta das taxas "nem no próximo ano nem no seguinte", e que os mercados "estão a ficar confusos por não verem os efeitos que a inflação vai ter a longo prazo". Ainda assim, com o nível de preços a subir, a MAPFRE Economics destaca que a base para o aumento dos preços "ainda é considerada transitória, embora de natureza mais duradoura do que o previsto". "Esta persistência deve-se principalmente a fatores exógenos, tais como o choque energético e os problemas de abastecimento global, sendo os fatores endógenos de natureza muito mais limitada", conclui.

Pode ouvir o programa completo aqui.

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