Nos últimos dias, e como resultado da nova variante Ómicron, houve fortes variações na bolsa de valores e, segundo Alberto Matellán (economista chefe da MAPFRE AM) "estas vão continuar durante os primeiros meses do próximo ano". "Há três ou quatro meses de volatilidade pela frente", acrescenta.

Por esta razão, os investidores mais conservadores, como é o caso da MAPFRE, "devem adotar uma postura de espera até que os primeiros dados macroneconómicos e de lucros empresariais sejam publicados no primeiro trimestre do próximo ano". 

Apesar da elevada incerteza, alguns índices europeus permanecem próximos dos seus máximos, também do outro lado do Atlântico. Como consequência, surgem dúvidas sobre se os mercados estão sobrevalorizados. O economista explica ainda que isso depende da forma como o encaramos: "este tem sido um ano sem precedentes, de recuperação pós-pandémica, e isso faz com que os investidores o coloquem no preço. Se compararmos com números históricos, os mercados bolsistas são de facto caros, mas não creio que possa ser comparado por este motivo: é um ano de reabertura após a pandemia e, além disso, muito dinheiro tem continuado a ser injetado".

EUA

Para além da pandemia, a elevada inflação já está a exercer pressão sobre os Bancos Centrais. A Reserva Federal, por exemplo, já mudou o seu tom e Jerome Powell (presidente do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos) já indicou que irá acelerar a retirada de estímulos. Para o economista da MAPFRE AM está é uma mensagem saudável."

A inflação é mais elevada do que parecia e existem também pressões internas nos EUA. Não deve ser alimentado com mais dinheiro, mas ainda não está claro que possa ser combatida apenas com aumentos de taxas. Algumas pessoas podem ter ficado surpreendidas, mas é o que têm de fazer e o mercado não o tem levado a mal".

Europa

Aqui a situação é um pouco diferente. O Índice de Preços no Consumidor da Zona Euro também registou níveis máximos dos últimos 30 anos, mas Matellán não vê essas pressões internas ou uma possível espiral inflacionista como nos EUA. 
"Na Europa ainda é devido a choques externos, pelo que não há justificação para uma mudança significativa na política do Banco Central Europeu. Veremos a mensagem, porque talvez a modifiquem um pouco por causa do Fed (Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos), mas além disso nada mais se justifica", acrescenta.

Em termos de previsões macroeconómicas, a OCDE tinha ficado um pouco para trás. No entanto, anunciou um corte acentuado de mais de dois pontos no caso de Espanha, para 4,5%. O economista da MAPFRE AM acredita que, em parte, isto se deve em parte a questões técnicas. MAs, por outro lado, não há dúvida de que há uma desaceleração global. Para o economista, "não é nada de alarmante, significa voltar a taxas mais normais e mais razoáveis".

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