No sábado, dia 12 de julho, cerca de meia centena de participantes (membros do Grupo Desportivo e Cultural, familiares e amigos) zarparam no cacilheiro Trafaria Praia de Joana Vasconcelos, para um passeio de hora e meia no Tejo. “Neste sábado a cheirar a verão, fomos visitar o cacilheiro Trafaria-Tejo, que a arte de Joana Vasconcelos resgatou in extremis ao abate. De interior Valqueriano, onde a artista reinterpretou a arte popular com a mestria da expressão dos sentidos, subimos ao convés superior onde dominámos as margens sul e norte com o olhar de quem descobre, sob outra perspetiva, a vista do quotidiano metropolitano do Tejo iluminado. A Ponte impôs o limite de navegação, se não ninguém parava este cacilheiro, que até Veneza já foi… Amuado por ter que voltar ao cais de partida, que do Sodré também o é, fez birra e mostrou que apenas amarra quando se dispõe a tal. Feliz iniciativa esta do GDC que, como diz o poeta ‘levou muita gente’, que ‘regressou contente’.” Teresa Vital O Cacilheiro Lá vai no mar da palha o cacilheiro, comboio de Lisboa sobre a água. Na ponte passam carros e turistas iguais a todos que há no mundo inteiro, Mas, embora mais caras, a ponte não tem vistas como as dos peitoris do cacilheiro. Leva namorados, marujos, soldados e trabalhadores, e parte dum cais que cheira a jornais, Morangos e flores. Regressa contente, levou muita gente e nunca se cansa. Parece um barquinho lançado no Tejo por uma criança. Num carreirinho aberto pela espuma, lá vai o cacilheiro, Tejo à solta, e as ruas de Lisboa, sem ter pressa nenhuma, tiraram um bilhete de ida e volta. Se um dia o cacilheiro for embora, fica mais triste o coração da água, e o povo de Lisboa dirá, como quem chora, pouco Tejo, pouco Tejo e muita mágoa. Carlos do Carmo Composição: Ary Dos Santos / Paulo Carvalho |